Museu Vivo de Vilar Maior, ficou sob gestão da Associação Muralhas de Vilar Maior.
A Associação Muralhas de Vilar Maior, no concelho do Sabugal, organizou recentemente uma tertúlia cultural sobre “Memória, Território e Identidade”, no Museu Vivo de Vilar Maior, celebrando para além da cultura, a história, o património e a comunidade.
Na iniciativa esteve presente a escritora Liliana Brás, que partilhou a sua paixão literária, com momentos de literatura, poesia e música. Foi apresentado o livro “O Canto das Folhas”, com a declamação do poema “O Tanger das Memórias” e um momento musical ao vivo, que pretendeu promover o diálogo entre património, cultura e comunidade.
O Presidente da Associação Muralhas de Vilar Maior, Joaquim Simões salientou que com esta atividade comemorou-se o Dia Internacional dos Museus e deu-se início à gestão do Museu Vivo de Vilar Maior por parte da Associação Muralhas de Vilar Maior.
“A responsabilidade resultou da proposta que nos foi formulada pelo Executivo da União de Freguesias de Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos, corroborado pelo Executivo do Município do Sabugal, dando origem à celebração de um Protocolo de Colaboração. Cumpre-nos, nesta circunstância, agradecer à União de Freguesias, na pessoa da sua Presidente Inês Cunha e ao Executivo Municipal, na pessoa do Sr. Presidente Victor Proença, pela confiança que em nós depositaram e assumir, aqui e agora, que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que o Museu seja efetivamente um Museu Vivo! Com as pessoas e para as pessoas!” realçou Joaquim Simões.
“Falar do Museu Vivo de Vilar Maior é falar de algo que vai muito além de um espaço, de uma coleção ou de um conjunto de atividades. É falar de uma comunidade que decidiu transformar a sua história em futuro, preservando aquilo que a distingue e lhe dá sentido” referiu Joaquim Simões.
“O Museu Vivo assenta em três pilares fundamentais: Memória, Território e Identidade. A Memória é o primeiro desses pilares. É nela que encontramos as histórias, os saberes, os costumes, as tradições e as vivências das gerações que nos antecederam. A memória não é apenas uma recordação do passado; é uma herança coletiva que nos ajuda a compreender quem somos. Cada pedra das muralhas, cada rua, cada casa, cada objeto, cada testemunho dos nossos mais velhos transporta fragmentos dessa memória que importa preservar e transmitir” disse o Presidente da Associação Muralhas de Vilar Maior.
“O segundo pilar é o Território. Vilar Maior não é apenas um ponto no mapa. É uma paisagem moldada pela ação humana ao longo dos séculos. É a relação entre as pessoas e a terra, entre o património construído e a natureza envolvente. O território guarda marcas da nossa história e continua a ser o palco onde se constrói o presente e se projeta o futuro. Valorizar o território é reconhecer a sua singularidade e a sua capacidade de inspirar desenvolvimento, conhecimento e pertença” acrescentou Joaquim Simões.
Já “o terceiro pilar é a Identidade. Ela resulta da ligação profunda entre a memória e o território. A identidade é aquilo que nos torna únicos. É a forma de falar, de celebrar, de trabalhar, de receber quem nos visita. É o sentimento de pertença a uma comunidade que conhece as suas raízes e que tem orgulho nelas. Mas estes três pilares não existem isoladamente. Há um elemento que os une e lhes dá vida: as pessoas.
São as pessoas que guardam a memória, que vivem o território e que constroem a identidade. São os homens e as mulheres que, através dos seus conhecimentos, das suas experiências, do seu trabalho e da sua dedicação, criam uma verdadeira simbiose entre estes três eixos” destacou.
“Os mais velhos, que transmitem histórias e saberes; os artesãos, que mantêm técnicas ancestrais; os agricultores, que continuam a modelar a paisagem; os voluntários, investigadores, associações e todos aqueles que dedicam tempo e energia à valorização da nossa terra. Cada um deles é uma peça fundamental deste grande património vivo”, afirmou Joaquim Simões.
“É precisamente por isso que o conceito de Museu Vivo é tão poderoso. Porque reconhece que o património não está apenas nos objetos ou nos monumentos. O património vive nas pessoas. Vive nos gestos, nas palavras, nos conhecimentos e nas relações que unem a comunidade. O Museu Vivo de Vilar Maior é, assim, uma ponte entre gerações. Um espaço onde o passado dialoga com o presente para construir o futuro. Um projeto que nos desafia a preservar, mas também a inovar; a recordar, mas também a criar; a valorizar aquilo que herdámos para o entregar, enriquecido, às gerações que virão. Chegados aqui, é de toda a justiça que façamos, com a devida vénia, menção a uma pessoa que foi, incontornavelmente, a verdadeira obreira deste Museu Vivo: A falecida Professora Maria Delfina Magalhães da Cruz Marques. Foi ela que, com uma vontade férrea, com determinação e abnegadamente, motivando os seus alunos e a restante população, conseguiu reunir o espólio deste Museu. Agradecer, também, aos herdeiros do Professor António Esteves Pinheiro pela oferta à Associação, de uma monografia da sua autoria. Que saibamos continuar a cuidar desta memória, deste território e desta identidade. E que nunca esqueçamos que o maior património de Vilar Maior são as suas pessoas, porque é nelas que estes três eixos se encontram, se reforçam e ganham significado” fez questão de frisar no seu discurso, Joaquim Simões, Presidente da Associação Muralhas de Vilar Maior.
Edgar Afonso


