Profissionais de saúde debateram os cuidados com feridas, promovendo a atualização científica e a partilha de conhecimento, no Congresso de Feridas, que decorreu ao longo dos dias 14 e 15 de outubro, no Teatro Municipal da Guarda na sua 6.ª edição, este ano sob o mote “Tempo” de Cuidar, partilhando conhecimento, reflexão e atualização científica na área da prevenção e tratamento de feridas.
A conferência “O ‘Tempo’ da Cicatrização” por Cristina Miguéns, abriu o Congresso de Feridas da Guarda, e convidou à reflexão sobre a complexidade dos processos de cicatrização e a importância de uma abordagem especializada e individualizada, nomeadamente, no caso de doenças raras.
Seguiu-se a mesa temática “O ‘Tempo’ da Aceitação e do Conforto”, moderada por Carina Santos, refletindo em torno de dimensões fundamentais dos cuidados à pessoa com ferida, onde a competência técnico-científica se cruza com a humanização, a dignidade e o respeito pela individualidade de cada pessoa. A mesa contou com três abordagens complementares: “Ferida em Fim de Vida e Ferida Oncológica”, por Ana Rocha, abordando os desafios específicos do cuidado à pessoa em contextos de particular vulnerabilidade; “A Aceitação”, por Soraia Ferreira, numa reflexão sobre a forma como cada pessoa vive e integra a experiência de ter uma ferida e “O Conforto”, por Carla Carlos, destacando a importância de promover o bem-estar, aliviar o sofrimento e preservar a dignidade ao longo do processo de cuidar. Esta mesa reforçou a importância de olhar para além da ferida, reconhecendo a pessoa na sua totalidade, as suas necessidades, emoções e expectativas.
O Congresso de Feridas prosseguiu com a mesa-redonda “Avanços e Desafios na Prática Clínica”, moderada por Nuno Sousa, Diretor Clínico para os Cuidados de Saúde Hospitalares da ULS da Guarda, dedicada à reflexão sobre a inovação, a evolução do conhecimento e os desafios que marcam a prevenção e o tratamento de feridas.
Esta sessão reuniu diferentes perspetivas sobre abordagens e ferramentas que podem contribuir para uma prática clínica cada vez mais diferenciada, fundamentada e orientada para as necessidades das pessoas: Termografia, por Lourdes Hidalgo — uma abordagem tecnológica com potencial para apoiar a avaliação clínica e a monitorização das feridas; Inteligência Artificial, por Rúben Encarnação — uma reflexão sobre as oportunidades e os desafios da utilização destas ferramentas na prestação de cuidados de saúde e Terapia Compressiva, por Manuel Cruz — uma abordagem terapêutica relevante na prática clínica, com enfoque na importância do conhecimento e da adequação da intervenção a cada situação.
O programa do Congresso de Feridas Guarda 2026 continuou com a mesa temática “Oxigenoterapia Hiperbárica”, moderada por Cremilda Almeida. Esta sessão foi dedicada à reflexão sobre uma abordagem terapêutica diferenciada, explorando aspetos fundamentais da sua aplicação clínica, desde os processos de referenciação até à intervenção dos profissionais de enfermagem. A “Referenciação e Técnica”, por Joana Ribeiro, focou-se nos procedimentos e aspetos técnicos associados à utilização desta terapêutica. Os “Cuidados de Enfermagem e Casos Clínicos”, por Lucília Romualdo, destacou a importância da intervenção de enfermagem, da experiência clínica e da análise de casos na prestação de cuidados individualizados.
A inovação assumiu ainda um lugar de destaque no Congresso de Feridas, com a mesa temática “Tempo” da Inovação – Hot Topics, moderada por Maximiliano Ribeiro. Uma sessão dedicada à apresentação e discussão de abordagens inovadoras na prevenção e tratamento de feridas, dando a conhecer estratégias e soluções que acompanham a evolução do conhecimento científico e procuram responder aos desafios da prática clínica. No painel de intervenções, destaque para os “Autoenxertos”, por Clara Masó; “Fotobiomodulação”, por Elisabete Vinhas; “Fatores de Crescimento”, por Paulo Ramos e “Penso Inteligente”, por Sónia Miguel. Estas temáticas convidaram à reflexão sobre novas possibilidades terapêuticas, tecnologias emergentes e estratégias que podem contribuir para uma abordagem cada vez mais diferenciada e personalizada à pessoa com ferida.
Já o segundo dia do Congresso de Feridas, começou com a mesa temática “Respostas Integradas para Desafios Globais em Feridas”, moderada por Ermelinda Marques. Uma sessão dedicada à reflexão sobre a importância da articulação entre profissionais, equipas e instituições, na procura de respostas integradas e sustentadas para os desafios cada vez mais complexos da prevenção e do tratamento de feridas. “Consulta de Suporte à Decisão no Tratamento de Feridas”, por Liliana Miranda, reforçou a importância do apoio à decisão clínica para orientar intervenções e promover cuidados adequados às necessidades de cada pessoa. A “Integração de Cuidados — Uma Experiência de Espanha”, por Joan Enric Torra I Bou, trouxe uma perspetiva internacional sobre modelos de articulação e integração de cuidados na área das feridas.
A mesa temática “Respostas Integradas para Desafios Globais em Feridas”, continuou agora moderada por Cristina Miguéns. A “Consulta de Suporte à Decisão no Tratamento de Feridas”, por Liliana Miranda, abordou a importância do apoio à decisão clínica para orientar intervenções e promover cuidados adequados às necessidades de cada pessoa. A “Integração de Cuidados — Uma Experiência de Espanha”, por Fernando Martínez Cuervo, trouxe uma perspetiva internacional sobre modelos de articulação e integração de cuidados na área das feridas.
O Congresso de Feridas 2026, finalizou com a conferência “Tempo de Cuidar”, moderada por Ana Mendes Godinho, dedicada à reflexão e partilha de experiências sobre a humanização dos cuidados, o apoio à população idosa e a importância do trabalho em rede entre a saúde e o setor social. Esta sessão reuniu diferentes perspetivas e experiências, abordando o papel das Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC) na prevenção e tratamento de feridas, com Carlos Mateus, a literacia dos cuidadores nas IPSS’s, com Nuno Silva, e a Humanização e Cuidados no Centro Comunitário São Vicente, com Ricardo Correia e Cremilda Almeida.
Em destaque estiveram também o Programa Apoio 65 – Idosos em Segurança, com Hugo Torrado, o papel da UDIPSS na inovação e sustentabilidade do Setor Social e o projeto Guarda Afetos, com Rui Pais e o Projeto SER 65+ e EuroAge+, dedicado à Investigação e Inovação – Envelhecimento Ativo, com Ermelinda Marques, evidenciando a importância de promover respostas integradas, humanizadas e de proximidade, valorizando o trabalho em rede e a partilha de boas práticas entre profissionais, instituições e comunidade.


