Entrevista com Paula Sousa, Carlos Henrique e Paula Ruivo sobre o Museu Histórico Militar de Almeida, no programa “Territórios de Almeida”, na Rádio Fronteira.
Paula Sousa destacou as características do Museu Militar de Almeida que “explica a história do lugar, de Almeida, do seu interesse enquanto sítio especial e de necessária estratégia e também, paralelamente, conta a história de várias campanhas militares, desde a Idade Média, até à Primeira Guerra”.
“O acervo integra vários equipamentos, para além de armaria, alguns uniformes, iconografia e depois também audioguias, mas pontos multimédia que contextualizam quer a fortificação, quer o tipo de armaria ou de curiosidades associadas àquela época específica que o visitante percorre. Para além disso, o complexo construtivo é tão singular que conta uma história de um projeto muito curioso que não ficou acabado e por causa disso a curiosidade aumenta e faz-nos investigar todos os dias, não é uma história acabada, é uma história que temos que construir e que se vai construindo e tem pormenores associados àquele uso que são interessantes de explorar e que nós exploramos ao longo das visitas”.
“O baluarte onde está aquele complexo também é um baluarte incrível, de 28 canhoneiras, plataforma para tiro de mortais, só esse baluarte com guaritas e caminho de ronda, que é dos poucos baluartes, para além do baluarte de Santa Bárbara, que também tem caminho de ronda, o outro lado da fortificação já não tem” lembrou Paula Sousa.
🎙️ Já Carlos Henrique descreveu como é conduzida a visita ao espaço, “a visita desenvolve-se ao longo de um circuito sequencial e temático, obviamente, entre as várias salas abobadadas, onde temos os recursos de multimédia, fardamentos, maquetes e armaria que guiam o visitante de forma cronológica e didática pela história das fortificações. Nós temos sete salas museolizadas, com diferentes períodos históricos, que é como se o nosso visitante embarcasse numa viagem no tempo, mas no tempo de, mais concretamente, de Almeida”.
“Conhecendo então as suas origens e depois passando para o período da Idade Média, que é quando Dom Dinis dá a foral a Almeida. Também temos lá as plantas do Castelo, os desenhos de Duarte de Armas. Depois da Sala da Idade Média, passamos para a Sala da Restauração, que é um dos períodos ex-libres da Vila de Almeida. Onde tivemos batalhas de grande impacto, principalmente, e aliás, a que agora se está a aproximar, o nosso feriado municipal, o 2 de Julho de 1663. Como bem sabemos, foi uma data marcante. E essa sala dedica-se então a desenvolver as temáticas históricas desse exato período. Aliás, toda a exposição do museu, todas as temáticas, estão interligadas para que o nome de Almeida, ou os acontecimentos que aconteceram em Almeida, passa a redundância da expressão, sejam destacados dessa forma. Encaixando-os sempre na cronologia da história de Portugal. Passando depois da Restauração para a Guerra dos Sete Anos, onde também Almeida sofreu desta vez um cerco. Não teve a mesma sorte que no período da Restauração, porque desta vez a praça esteve durante cerca de um ano em mãos estrangeiras”.
“Portanto, a história também contada das duas vertentes, não só dos altos, mas também dos baixos. Portanto, abrangendo sempre o exponencial máximo histórico do edifício e da fortaleza e da história da nossa gente. Passando da Guerra dos Sete Anos para as Guerras Peninsulares, ou as Invasões Napoleónicas, e aí sim, outro dos ex-livres que nós temos em termos de história. Obviamente que depois, a culminar nas comemorações do Cerco de Almeida, é aí nessa sala onde podemos explorar então várias questões acerca das Invasões Napoleónicas, e que contamos também o fatídico episódio da explosão do Castelo e a não menos interessante também a fuga de Bernier, depois num episódio da recuperação da praça em Maio de 1811. Ainda assim, vamos na sala 5 e passamos para a sala 6. Exatamente. Que é o período das lutas liberais. Aí, Almeida também teve o seu papel de destaque, acabando por tomar o partido absolutista e são mantidos lá presos liberais. Entre 300 a 400 presos liberais durante esse período. E culminando assim a nossa visita, na primeira metade do século XX, também o conflito conhecido como a Grande Guerra Mundial, a Primeira Grande Guerra, onde obviamente que Almeida não teve um papel de destaque nesse conflito, mas esse espaço serve-nos mais como homenagem a todos os filhos da terra que tiveram o seu contributo, principalmente na Batalha de La lys”, realçou Carlos Henrique.
🎙️ Paula Ruivo deu conta de alguns número, em termos de visitas. “Desde a sua inauguração, a 29 de agosto de 2009, o Museu já recebeu cerca de 204 mil visitantes, afirmando-se assim como um importante espaço na preservação, valorização e divulgação do património cultural da região. Nos últimos três anos, o Museu registou um fluxo regular de visitantes. Em 2023, recebeu 11.837 visitantes. Em 2024, 12.429. Em 2025, registámos 10.823. Adicionalmente, foram ainda efetuadas, em 2025, 13.088 pedidos de informação, passámos a contabilizar também aquelas pessoas que vão ao Museu pedir informações, pedir outras coisas em concreto e que achámos que deveriam ser também consideradas como utentes do Museu. E, sendo assim, fazemos um total de 23.911 utentes em 2025″.
“Quanto à tipologia das visitas, temos os visitantes individuais, que constituem a maioria do público, totalizando 10.393 visitantes em 2023, 10.741 em 2024 e 8.858 em 2025. Temos também registos das visitas escolares, que registaram 865 participantes em 2023, 910 em 2024 e 609 em 2025. Este ano, em cinco meses, já quase chegámos a este número de 609, tivemos um incremento de visitas de escolas. As visitas de grupo evidenciaram um crescimento significativo, passando de 579 participantes em 2023 para 778 em 2024 e 1.356 em 2025”.
“Relativamente à proveniência dos visitantes, os portugueses são os que constituem o principal público do Museu, seguindo dos visitantes espanhóis, franceses e ingleses. Temos curiosamente verificado que tem havido um aumento na procura por parte do turista brasileiro, até há alguns anos atrás não se via e atualmente temos notado uma procura bastante elevada. Destacamos ainda em 2025 também o crescimento do turismo a nível de visitantes ingleses. As escolas vão ao museu, mas não esquecer também que o museu vai às escolas. E estes números não estão contabilizados como entradas, mas são números expressivos que se os contabilizássemos no fluxo representavam um número significativo. Sim, inclusive até já fomos convidados para ir às escolas fora do concelho, como um Fundão, por exemplo”.
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